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July 22 A vida num risco IIConversando com o blog do Felipe:
É indiscutível que o medo seja necessário à vida de toda pessoa que busque seu próprio crescimento. Crescer requer riscos e correr riscos é tiro e queda para atingir a sensação de frio na barriga. E o frio na barriga nada mais é que uma espécie de lembrete de que a vida pulsa nas entranhas e que a morte não pode chegar antes que o "destino" se cumpra. Ai de nós se deixarmos de querer senti-lo.
Há, porém, um tipo de medo que me cobre e que não me faz crescer. Pelo contrário, só me diminui. É o medo que me diz para não sair de casa depois das dez. É o medo que me lembra de trancar as portas mesmo em dia claro. É o medo que transformou em hábito fechar os vidros do carro no sinal. É o medo que me acorda quando o cachorro late na madrugada. É o medo de entrar no ônibus e não voltar pra casa. É o medo do que não tenho controle e que invade minha casa todos os dias pela TV e pela qual rezo para que seja só pela TV mesmo. É o medo de que o país chegue na situação em que está. É o medo que significa temor e o temor, de tanta vida que toma, acaba formando em si a palavra morte. E a morte não pode chegar antes que o "destino" se cumpra. Ai de nós...
Às nossas velhas e mesmas cartas de amor...Depois que popularizaram o correio eletrônico posso contar nos dedos das mãos quantas cartas recebi e não gasto as duas para contar as que enviei. E-mail tem a sua graça, mas a sensação de receber uma carta pelo correio convencional será sempre a sensação. (Assim como pegar em fotos reveladas: parece mais real.)
Ontem reli algumas. Devo ter quase mil recebidas na minha fase adolescente. Cartas de desabafo, cartas-bobagens, cartas de amor... Oh, cartas de amor, como podem ser tão românticas? São porque existe todo um processo no coração dos envolvidos. O remetente escreve um rascunho, pensa, embola, pensa, rabisca e passa a limpo em papel de bloco de carta. Escolhe um envelope, o decora. Vai ao correio, paga o selo e vai embora já esperando ansiosamente pela resposta. Isso leva dias. O destinatário, por sua vez, chega em casa cansado de um dia difícil, vai deitar e encontra uma carta em cima da cama. Pensa que o dia, enfim, valeu a pena porque recebeu notícias quase fresquinhas da pessoa que dedicou um pouco do seu tempo a lhe escrever. Pensa, pensa e dorme com a carta em cima do peito. Acorda com a resposta e o processo recomeça. Isso leva dias. Já na era digital... O remetente escreve algumas linhas, deleta porque acha que ficou sutil demais. Se tiver corretor de texto, sorte do destinatário. Envia. Se o destinatário estiver online, responde em três minutos, no máximo, dizendo: “Tô no MSN. Entra aí.” Se não estava, responde mais tarde com um PPS encaminhado. E romantismo é lentidão. É ser lento, criativo e eterno... o que não cabe nesses nossos dias tão corridos. Não quero ser saudosista e nem voltar no tempo. Mas hoje, especialmente hoje, faço um brinde às nossas velhas e mesmas cartas. E vou ao correio. July 19 Chorar não é o contrário de sorrir...Hoje dei uma martelada no dedo, o que tem sido freqüente, mas essa doeu tanto que tive vontade de chorar. Não chorei porque meu pai estava perto e eu não choro por coisas pequenas na sua frente para não perder a credibilidade de pessoa forte e quase engenheira que sou. Não ria.
Isso me fez pensar nas coisas realmente importantes pelas quais choramos. É claro que alguns têm "motivos bem mais motivos" que outros. (Se você leu meu texto sobre dom de ser poeta, tenho a mesma opinião a respeito do sofrimento: herança pelo que fez em vidas passadas e nesta, mas não vem ao caso...)
Das tantas vezes que chorei nessa vida, relato:
- Quando criança chorei porque minha mãe viajou por um mês, mandou uma carta e eu aprendi o que era saudade. Chorei quando vi "Meu primeiro amor" e aprendi o que era a perda. E depois pude senti-la pelo meu avô.
- Quando adolescente chorava porque meus hormônios estavam loucos e me faziam amar e odiar ao extremos. E a gente, quando é puro sentimento, chora à toa...
- Depois de adulta me contenho mais, mas ainda choro. Tem gente que diz que é forte e não chora nunca. E o choro serve para aliviar, equilibrar e rejuvenescer. Choro por tudo isso e porque chorar é da natureza mesmo. E é para adulto também. Porque se não fosse, a gente pararia quando aprendesse a falar...
July 12 Chamando você pra briga..."No princípio era o verbo." Dias depois, Bell criou o telefone: maravilha de aparelho que permite me conectar daqui do Brasil à Rainha da Inglaterra em tempo real. E então inventaram a bina, (não sei quem foi...), que permite saber que a Rainha quer falar comigo antes mesmo de eu atender o telefone. Eita mulher insistente.
Aí criaram o celular, que é um telefone muito melhor, que não tem fio, vai pra lá e pra cá e vem de fábrica com bina!!! Só que para estragar tudo, alguém teve a idéia da "Chamada de identificação bloqueada",
cuja verdadeira utilidade eu ainda não consegui encontrar. Cheguei a esses usuários:
a) O à toa que adora passar trote e gastar o tempo dos outros (um coitado);
b) O "apaixonado platônico" que não tem coragem de se declarar e liga só pra ouvir a voz que faz disparar seu coração (um coitado);
c) O rejeitado que sabe que se ligar se identificando sabe que não vai ser atendido (um coitado);
d) O maníaco seqüestrador pedindo resgate (um coitado);
e) Você que usa e não é nenhum dos acima, complete... (um coitado?)
Imagino que as operadoras de telefonia celular lucrem bastante a mais com esse sistema que encoraja as pessoas a ligarem mais. Mas é só isso.
E perdoem-me, mas enquanto não me convencerem que esse sistema de bloqueio de identificação seja realmente utilizado para algo bom, não vejo com bons olhos quem me liga dessa forma.
E Rainha, pela última vez, não quero ser sua nora. Já sou principessa!
July 07 Sobre MurphyConversando com o Blog do André:
Confio no que dizem sobre energia e pensamentos. Acredito que quando se deseja algo com vontade, acontece mesmo. E quando se permite que todos os pensamentos de pessimismo o atinjam, eles o farão e com força. Ou seja, energia e pensamentos existem para o bem ou para o mal.
Episódio Único: 007 não é Chuck Norris
007 acorda atrasado. Culpa o relógio que não despertou. Murmura algo que soa como: "Oh, shit..." mas não se sabe ao certo...
A lei de Murphy começou logo de manhã ou 007 se esqueceu de ajustar o relógio antes de dormir?
007 vai ao banheiro e descobre que acabou o creme dental. Sai do banheiro chutando tapetes.
A lei de Murphy está atuando ou 007 se esqueceu de colocar o creme dental na lista de compras de Mary, a empregada?
007, sem escovar os dentes, entra em seu carro (aquele super carro invisível) já pensando que o dia vai ser terrível porque conhece a Lei de Murphy. (No caso de 007, imagino que conheça a Lady Murphy também). Olha para a frente e encontra um trânsito extraordinário.
Lei de Murphy ou hora do rush? (De que adianta ser invisível agora, 007? Vai ter que esperar como todos os outros porque seu carro invisível não voa.)
Uma onda de pessimismo invade 007. A partir de então, tudo é considerado obra de Murphy. Mas eu diria se tratar de energia-negativa-devido-ao-pessimismo. E você pode chamar como queira.
007 tem um dia difícil. Volta pra casa com o creme dental e alguns tiros na perna. Vai dormir feliz porque sabe que amanhã será "um novo dia para morrer", mas só amanhã.
Imprevistos ocorrem com qualquer um. O que faz diferença é saber lidar com eles. E isso serve até para 007. July 06 Pai, o pai do pai sempre morou no Japão?Eu não sei de onde tudo isso começou, mas lá em casa temos uma particularidade que só reparei agora. Nós não chamamos nossa mãe de senhora e nem de você. Nem nosso pai. Simplesmente falamos: "Mãe, a mãe vai no centro hoje?" "Pai, o pai viu o que o Cafu falou?" Como se falássemos de uma terceira pessoa. Imagino que tenha começado do meu irmão mais velho... Não tenho certeza, mas acho que ele fala assim também.
"Mãe, isso é da mãe?" ao invés de falar "Mãe, isso é da senhora?" é no mínimo cômico pra quem ouve de fora. Mas costumes são costumes. Como mudar isso depois de X anos de idade? |
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